Ovário policístico

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Cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva possuem a Síndrome do Ovário Policístico (SOP). A patologia é uma desordem endócrina heterogênea e uma das principais causas de anovulação, pelos e infertilidade.

De acordo com Juliano Scheffer, ginecologista e especialista em reprodução humana e diretor científico do Instituto Brasileiro de Reprodução Assistida (IBRRA), a doença é hereditária e uma das causas que dificultam a gravidez, principalmente, pelo motivo da não ovulação. Mas é preciso lembrar que ter a patologia não é diagnóstico que a paciente nunca será mãe. As chances diminuem, são quase duas vezes menores se comparadas com aquelas que não têm a síndrome, mas com tratamento existe a possibilidade de gravidez. “Quando não conseguem engravidar espontaneamente, 97% das mulheres que procuram por tratamento tornam-se gestantes”, alerta Scheffer. Durante a gestação o acompanhamento de um médico é essencial, pois mulheres com a síndrome apresentam um risco maior de desenvolver diabetes, doenças cardiovasculares e síndrome metabólica.

É comum existir confusão entre ovário policístico e cisto no ovário. O ginecologista esclarece a diferença entre os dois: o ovário policístico é um conjunto de sinais e sintomas que configuram a síndrome, já o cisto no ovário é uma nomenclatura genética de formação arredondada, regular ou não, que pode acometer qualquer tecido e ser um folículo funcional – gameta em crescimento – ter uma base benigna como teratoma cístico ou uma base maligna como o câncer. “Através das características imagenológicas do cisto associadas a sinais e sintomas da paciente é que o profissional de saúde vai distinguir qual é a sua etiologia”, explica Scheffer.

Tratamento

O tratamento envolve a prevenção e a promoção da saúde, da estética e até mesmo da gravidez. Segundo o ginecologista, fazer dieta e praticar atividades físicas são imprescindíveis. Os medicamentos variam conforme o objetivo principal da paciente, que vai desde remédios para diminuir os riscos cardiovasculares, diabetes, melhoria da pele, diminuição de peso, até casos de infertilidade.

A medicação pode ser oral, subcutânea, intramusculares, transdérmicas, entre outras. Em casos seletos, pode se submeter a cirurgias como ‘drilling ovariano’. “Nos casos específicos da infertilidade, o tratamento pode ser a indução da ovulação seguida do coito programado, a inseminação intrauterina ou a feritilização in-vitro”.

Diagnóstico

Os principais sintomas da patologia são: acne, oleosidade, pelos, obesidade/sobrepeso, manchas na pele, ciclos menstruais a cada dois ou três meses e infertilidade. O diagnóstico acontece através de consulta médica, ultrassonografia e dosagens hormonais sanguíneas, segundo os critérios do The Rotterdam ESHRE/ASRM. É preciso ter, pelo menos, dois desses três sintomas:

1. Oligomenorreia e/ou anovulação

2. Sinais clínicos e/ou bioquímicos de hiperandrogenismo, excluindo outras etiologias como hiperplasia congênita adrenal, tumores secretores de androgênios e síndrome de Cushing

3. Ovário policístico caracterizados pelo exame ultrassonográfico padronizado, ou seja, presença de pelo menos um dos seguintes achados: 12 ou mais folículos medindo entre 2-9mm de diâmetro ou volume ovariano aumentado (>10 cm3). Caso se constate a presença de um folículo dominante (<10mm) ou de corpo lúteo, o ultrassom (US) deverá ser repetido no próximo ciclo.

Por Ana Maria de Jesus

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