Escola para todos

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Por Ana Maria de Jesus

A inclusão de crianças com necessidades especiais em escolas regulares ainda é um tema bastante polêmico e debatido no meio educacional. As opiniões se dividem bastante: há quem ache que a inclusão traga benefícios para a aprendizagem e há aquele que acreditam que um processo de ensino diferenciado seja o melhor caminho. A polêmica sempre existiu e está longe de chegar ao fim.

Após quase três décadas muita coisa mudou. Se antes as famílias tinham vergonha de apresentar os filhos com algum tipo de deficiência, hoje o intuito não é esconder, mas incluí-los na sociedade. Seguindo esse caminho, em 1985, foi criada a Lei 7.853 que garante a inclusão de crianças especiais nas escolas regulares e trata como criminosa a instituição de ensino que se recusar a matricular um aluno especial e, desde então, cabe aos educadores o grande desafio de obedecer a legislação sem ferir a integridade do aluno.

Maria Silvia Slaviero Mueller Martinucci, diretora do Centro de Desenvolvimento Infantil Gymboree Curitiba, alerta que a lei, por si só, não resolve a polêmica sobre a inclusão, já que a criança não pode ser apenas mais um número dentro de um sistema que já existe e funciona. “Vejo muitas escolas que incluem excluindo, ou seja, aceitam a criança, porém, não tem preparo, estrutura e recurso para tal. Assim, acabam prejudicando ainda mais o aluno que precisaria de um acompanhamento especializado”, alerta.

Para que essa inclusão realmente aconteça, é preciso mais do que a imposição da lei, é preciso comprometimento. A preparação dos professores e a adequação do espaço físico na escola onde a criança estará inserida são fundamentais. Outra ação importante – e precisa acontecer sem demora – é a reeducação dos pais e dos alunos ditos como normais, o que não é uma tarefa considerada fácil. Porque, ainda em pleno século XXI, nem todos estão preparados para conviver com a diversidade. “Acredito que crianças especiais precisam de mais estímulos. Se todas as escolas regulares tivessem um grupo de profissionais especialistas em áreas como fonoaudiologia, terapia ocupacional, musicoterapia, fisioterapia, entre outras, o processo de inclusão funcionaria melhor. Porém, essa não é a realidade do Brasil”, esclarece Maria Silvia.

DownsyndromegirlscroppedInclusão

Hoje, no Brasil, a inclusão funciona com a colocação de uma a duas crianças com deficiência por turma, o que, muitas vezes, ocasiona a sensação de exclusão para eles. Isso acontece, de acordo com Maria Silvia, pelo fato deste estudante não conseguir exercer exatamente todas as atividades que as outras crianças realizam em sala de aula, mesmo acompanhada de um profissional. Inserida neste meio, ela se sente diferente e assim não consegue imaginar que existam outras crianças com necessidades diferentes, assim como ela.

Segundo a pedagoga, o processo de inclusão, quando acontece através de aulas extracurriculares, é mais eficaz, pois a criança não é desafiada a cumprir objetivos do currículo escolar e aprende de uma forma lúdica. “No Gymboree oferecemos programas que estimulam o desenvolvimento global da criança através de brincadeiras e novas descobertas. Dividido em níveis, o programa acompanha e apoia o crescimento delas”, informa.

Recepção e interação

Quando os pais decidem colocar seus filhos em escolas regulares, o primeiro passo é conhecer a instituição e as condições de atendimento que ela oferece, se existem o espaço e momentos que promovam a tão buscada interação social. Verificar o preparo dos professores e funcionários é fundamental. Mas não podemos nos enganar e achar que esses são os únicos fatores. É preciso que exista um trabalho de recepção dos atuais estudantes para que aprendam a respeitar as diferenças. O que, infelizmente, ainda não acontece em nosso país.

Os olhares curiosos e, às vezes, preconceituosos são algumas situações que a criança enfrentará no processo de inclusão em um primeiro momento. A ação pode ferir e prejudicar a autoestima não apenas da criança, mas também de toda a família. Nesse momento é preciso que os pais e educadores passem a segurança necessária para que o aluno que tem a deficiência não se sinta rejeitado e excluído. O diálogo é sempre o melhor caminho.

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