Mortalidade infantil

Por Ana Maria de Jesus

Ainda é preciso melhorar, e muito, mas não se pode negar que também há motivos para se comemorar. Com muito trabalho, o Brasil reduziu a mortalidade infantil, de crianças de até um ano, de 47,1 óbitos por mil nascidos vivos em 1990, para 19 em 2008. Até o ano de 2015, o objetivo é que esse número chegue a 17,9 óbitos por mil.

Dos óbitos que ocorrem no País, cerca de 70% poderiam ser evitados se as mulheres recebessem orientação no pré-natal e parto. No ano de 2004, o governo federal criou o Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal, a iniciativa conta com a participação das esferas federal, estadual e municipal, sociedade civil, universidades e sociedades médicas.  O Nordeste foi a região que apresentou a maior queda nas mortes de zero a cinco anos, mas a mortalidade na infância ainda é quase o dobro das registradas no Sudeste, Sul e Centro-Oeste.

De acordo com a pediatra Josineide de Macedo Ramos, do Hospital Adventista Silvestre, do Rio de Janeiro, as principais causas da mortalidade infantil são: pneumonia, diarreia e malária. A metade das mortes ocorre em cinco países: Índia, Nigéria, República Democrática do Congo, Paquistão e China. “No Brasil, as principais causas dos óbitos são as complicações do parto prematuro”, explica.

Condições médico-sanitárias precárias, como a ausência de esgoto, de água tratada, de moradia em boas condições, pavimentação, enfim, de saneamento básico afetam a qualidade de vida da população e isso está diretamente ligado ao índice de mortalidade infantil. “O baixo rendimento familiar afeta diretamente a qualidade de alimentação”, alerta. De acordo com estudos, crianças pobres têm mais do que o dobro de chances de óbito do que as ricas; e as nascidas de mães negras e indígenas possuem taxa de mortalidade maior.

Amamentação

Algumas mulheres, seja por estética ou pela não produção de leite, acabam não amamentando por muito tempo. O aleitamento materno é um processo único capaz de reduzir a morbimortalidade infantil, diminuir a incidência de doenças infecciosas, além de proporcionar nutrição de alta qualidade e contribuir para o crescimento e o desenvolvimento da criança. O benefício do aleitamento não é apenas para o bebê, mas também para a saúde da mãe. “A amamentação  reduz riscos de certos tipos de câncer de mama e anemia e também amplia o espaçamento entre os partos” informa o pediatra.

Pré-natal

Mesmo diante de tantas informações que apontam que o pré-natal é essencial tanto para uma gravidez saudável quanto para a criança, ainda há mulheres que não o fazem. Em muitos casos, a resistência tem relação com o baixo nível socioeconômico e cultural, gravidez indesejada, distúrbios emocionais e mentais e, em alguns casos, o difícil acesso às unidades de saúde pela localização geográfica de suas residências. O acompanhamento gestacional contribui para reduzir mortalidade e várias pesquisas têm documentado o efeito protetor do leite materno contra diferentes infecções.

A s campanhas de vacinação também contribuem para a queda da mortalidade infantil e o resultado é a redução de doenças infecciosas, especialmente as imunopreveníveis que tiveram vacinas introduzidas como a haemophilus influenzae, a vacina contra a meningite C, e a pneumo 10, que apresentam impacto importante na redução da meningite e de pneumonias provocadas por esses agentes. “A importante redução da diarreia resultou em uma maior queda da mortalidade no período pós-neonatal. Outros fatores como a redução continuada da fecundidade e a melhoria das condições ambientais e nutricionais da população também são positivas”, alerta Josineide.

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