Mal de Alzheimer

Por Ana Maria de Jesus

O Alzheimer é uma doença degenerativa que muitas vezes é confundida como parte do processo de envelhecimento. A patologia provoca, entre outros sintomas, a deterioração intelectual. A fala e a noção de espaço e de tempo também são afetadas, o que resulta em apatia, comportamento agressivo e delírios. É válido lembrar que a redução de certo grau das dimensões e do peso encefálico é típico do envelhecimento e, analisado de forma isolada, não representa importância clínica.

Entretanto, na doença de Alzheimer, esse processo consiste em uma degeneração substancial em determinadas áreas encefálicas – áreas de associações corticais e nos lobos temporais mediais, emaranhados fibrilares – que evolui em alguns anos, invariavelmente, para a demência. Uma das manifestações mais frequentes é a grave, e progressiva, perda de memória recente e da habilidade de pensar.

O fato de a doença ser genética não quer dizer que seja hereditária. Os parentes próximos aos pacientes podem ou não ter uma predisposição para a patologia. De acordo com a neurologista Joyce Macedo, do Instituto Paulistano de Neurocirurgia da Coluna Vertebral, a hereditariedade é responsável por apenas 1% dos casos da patologia. “Alguns cientistas fornecem informações de que pacientes com instalação da doença antes dos 70 anos apresentam maior probabilidade de terem parentes com a doença”, esclarece a profissional. A incidência é semelhante tanto em homens quanto em mulheres. Contudo, a prevalência é maior no sexo feminino, provavelmente influenciada pela taxa de mortalidade maior entre os homens.

De acordo com a Alzheimer’s Disease Internacional – ADI, estima-se que o número de pessoas com algum tipo de demência ou Alzheimer no mundo deve praticamente dobrar em 20 anos. Atualmente, há 35,6 milhões de doentes no mundo. Em 2030, esse número deve chegar a 65,7 milhões e, em 2050, a previsão é de 115,4 milhões de pacientes. Ainda segundo essa associação, após os 65 anos de idade, a chance de alguém desenvolver a doença duplica a cada cinco anos. Com 85 anos de idade, as chances já são de 50%.

Diagnóstico

Existem muitas pesquisas que buscam uma resposta para a patologia, mas de acordo com a profissional ainda não há causas definidas. “Existem grandes estudos em genética e em alguns neurotransmissores, substâncias químicas encefálicas que promovem a comunicação neuronal excitatória ou inibitória, como acetilcolina”, esclarece a neurologista.

A doença, por si só, não é mortal, porém as complicações respiratórias, cardiovasculares e infecciosas reduzem a sobrevida desses pacientes à metade. O tempo de evolução varia de 2 a 20 anos após o início dos sintomas.

É preciso ficar atento para que a doença não seja diagnosticada de forma errônea. Existem três grandes categorias de doenças nas quais o médico deve pensar quando recebe um paciente com demência. “Há doenças em que a demência está associada a sinais de patologias como AIDS, sífilis, deficiência de vitamina B12, hipotireoidismo, entre outras, ou estar associada a outros sinais neurológicos como: Coreia de Huntington, degeneração cérebro-cerebelar, doença de Parkinson, doença de Schilder, abscessos cerebrais”, alerta a profissional.

Segundo a neurologista Joyce, o diagnóstico da doença é feito através da exclusão de outros problemas que resultam a falta de memória. Dados clínicos, radiológicos, como a tomografia e a ressonância magnética, exames de sangue e líquor são utilizados para afastar o diagnóstico de outras patologias.  “O diagnóstico definitivo se dá por meio de autópsia, ou seja, pós-mortem, estudando-se o tecido vertebral”, explica.

Além da perda e memória, sintomas como falta de iniciativa, dificuldades de leitura, fala, escrita, irritabilidade, desconfiança, implicância e tarefas básicas como se alimentar e se vestir, alucinações auditivas e visuais, ideias fixas e irreais também se fazem presente no avanço da doença. Muitos pacientes ficam depressivos e frustrados por não conseguirem fazer o que faziam antes. Em contrapartida, existem alguns idosos que estão com depressão e são erroneamente diagnosticados de Doença de Alzheimer. Pessoas que estão acima do peso ou obesas na idade adulta têm quatro vezes mais riscos de desenvolver Alzheimer e outras doenças do tipo quando idosos.

De acordo com um estudo publicado no periódico Neuroly, variáveis como fatores genéticos e ambientais podem contribuir para a relação entre o acúmulo de gordura e os problemas neurológicos. Dados da pesquisa mostram, ainda, que há cerca de 1,6 bilhões de adultos acima do peso no mundo.

Durante a pesquisa, foram analisados dados de 8.534 voluntários acima dos 65 anos. Desses, 350 foram diagnosticados com a doença e outros 114 com possíveis casos da demência. Os cientistas descobriram que os riscos de Alzheimer eram 80% maiores entre aqueles que estavam acima do peso. Para os obesos, os riscos eram quase quatro vezes maiores. Segundo Weili Xu, pesquisadora do Instituto Karolinska, na Suécia, que coordenou o estudo, não foi possível estabelecer exatamente como o sobrepeso e a obesidade prejudicam o cérebro. Existe ainda a hipótese de que o tecido gorduroso, maior produtor de hormônios do corpo, pode gerar moléculas inflamatórias que poderiam afetar as funções cognitivas ou mesmo o processo de neurodegeneração.

Óbitos

Um levantamento da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) divulgou que as mortes por Alzheimer no Brasil passaram de 1.343 em 1999 para 7.882 no ano de 2008, o que significa um aumento de 500%. A demora para se chegar ao diagnóstico correto é o principal motivo de óbito.

Segundo a ABN, leva-se, em média, cerca de três anos para que a doença seja descoberta. Um dos motivos do diagnóstico tardio é o fato de os sintomas, como a perda da memória e o raciocínio lento, serem também características da velhice e, muitas vezes, interpretados pelas pessoas próximas como consequência do envelhecimento e não  da  enfermidade. Estima-se que 95% das vítimas morrem até cinco anos após apresentar os primeiros sintomas. A maioria dos óbitos é registrada em brancos e na região Sudeste, segundo a  organização. A patologia atinge normalmente os idosos e estima-se que 5% da população brasileira, com mais de 65 anos idade, tenha a doença.

Cuidados

Alguns cuidados domésticos são importantes e devem ser tomadas pra melhorar a locomoção, com o intuito de prevenir quedas e escaras. Cuidados com a higiene e com a alimentação do paciente também são importantes. As medicações atuais não revertem o quadro de demência, mas propiciam a supressão de alguns sintomas associados como comportamentos aberrantes, alucinações e melhoram a qualidade do sono, da alimentação, entre outros. Não deixar a pessoa sozinha também é muito importante, pois evita-se situações graves como risco de quedas e também os acidentes domésticos, como queimaduras.

Os pacientes com a patologia tornam-se cada vez mais inseguros de seu ambiente ou do que se espera deles, tornam-se mais dependentes de seus cuidadores. Quando se começa a perder a capacidade de entender seus ambientes e suas expectativas, passam a ter medo de serem esquecidos ou deixados para trás. Portanto, existem  algumas  metas  que  devem sempre ser seguidas:

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