Teste do pezinho

Por Ana Maria de Jesus

A importância da triagem neonatal, popularmente conhecida como teste do pezinho, é indiscutível, pois trata-se de uma ação preventiva que permite diagnosticar diversas doenças congênitas ou infecciosas que são assintomáticas, tempo de interferir no curso da enfermidade, o que permite um tratamento precoce específico diminuindo ou eliminando as sequelas. O pediatra Antônio Carlos Tuner, do Hospital Balbino, alerta para algumas patologias que podem ser diagnosticadas, como fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, hemoglobinopatias, anemia falciforme, fibrose cística, entre outras.

A não realização do exame pode trazer consequências graves para a criança se ela for portadora de alguma dessas doenças, podendo evoluir para um quadro mais grave. “A fibrose cística, quando não tratada pode levar à pneumonia de repetição. A anemia falciforme a dores abdominais e até a morte e o hipotireoidismo, ao atraso motor e mental”, alerta o pediatra. A análise é feita através de gotas de sangue que são colhidas do calcanhar da criança por ser uma área rica em vasos sanguíneos, o que torna o colhimento rápido e quase indolor.

De acordo com o pediatra o processo é obrigatório, gratuito e garantido por lei e toda criança recém nascida deve fazer. O exame pode ser realizado no hospital ou posto de saúde.

Brasil

O teste do pezinho chegou ao Brasil na década de 70 e identificavam apenas duas doenças: a fenilcetonúria e o hipotireoidismo. A partir de 1992 o exame passou a ser obrigatório e só trouxe benefícios para a qualidade de vida dos bebês. Em 2001, foi criado o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN). Atualmente mais de 30 patologias podem ser identificadas, mas ainda nem todas são realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). É aconselhável a realizar o teste entre o terceiro e o sétimo dia de vida, antes desse período os resultados não são muito precisos.

Diagnósticos do exame

Fenilcetonúria

Doença genética em que a criança não possui a enzima fenilalanina hidroxilase, que promove o metabolismo do aminoácido existente em todas as formas de proteínas da nossa alimentação como carne, leite, ovos, entre outros. A enzima se acumula no sangue e nos tecidos, o que provoca lesões graves e irreversíveis no sistema nervoso central. O tratamento precoce pode prevenir sequelas.

Hipotireoidismo congênito

É um distúrbio causado pela produção deficiente de hormônios da tireóide, geralmente devido a um defeito na formação da glândula ou a um problema bioquímico que ocorre na síntese dos hormônios tireoidianos, que são fundamentais para o adequado desenvolvimento do sistema nervoso. A sua deficiência pode levar ao retardo mental.

Anemia falciforme

É uma doença hereditária caracterizada pela alteração dos glóbulos vermelhos do sangue, tornando-os parecidos com uma foice, daí o nome falciforme. Essas células têm sua membrana alterada e rompem-se mais facilmente, causando anemia. A hemoglobina transporta o oxigênio e dá a cor aos glóbulos vermelhos, essencial para a saúde de todos os órgãos do corpo.

Fibrose Cística

Doença genética também é conhecida como mucoviscidose, que causa o mau funcionamento do transporte de cloro e sódio nas membranas celulares. A alteração faz com que se produza um muco espesso nos brônquios e nos pulmões, o que facilita infecções de repetição e causa problemas respiratórios e digestivos, entre outros. Outra manifestação é o bloqueio dos ductos pancreáticos. Diversas medidas tem melhorado a qualidade de vida dos pacientes afetados como a fisioterapia, dieta baseada na reposição oral de enzimas pancreáticas, de acordo com a faixa etária, e antibióticos.

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